OS EFEITOS DOM NO TRIGO - IMPORTANTE!!!
04/05/2013 08:18
Ao contrario do que se pensa ao ler o título, hoje trataremos do DON não como um “dom”, mas sim como um entrave que vem sendo enfrentado principalmente pelo setor de comercialização do trigo, subprodutos alimentícios e empresas de melhoramento.
A Deoxinivalenol (DON) também conhecida por muitos como vomitoxina é uma micotoxina produzida por espécies de fungos do gênero Fusarium.
Nos últimos tempos, o assunto vem sendo debatido em vários encontros técnicos promovidos por empresas de melhoramento, moinhos e empresas alimentícias no Sul do país, principalmente porque a giberela (Fusarium graminearum) é uma doença que frequentemente aparece no trigo sob condições climáticas favoráveis (umidade e temperaturas mais baixas), causando a queda na produção e perda de qualidade de grão.
Além da redução em produtividade, hoje o principal dano gerado pela giberela é que os grãos infectados trazem consigo a Deoxinivalenol, uma micotoxina de grande risco a saúde humana e animal.
Em animais, níveis superiores a 1 ppm podem levar a uma redução no consumo de ração e consequentemente, a uma diminuição na taxa de ganho de peso. Concentrações acima de 5 ppm levam à recusa do alimento e acima de 10 ppm podem ocasionar vômitos e perda de peso.
Em humanos, a intoxicação resulta em dores agudas no estômago, náuseas, vômitos, vertigens e diarreia. Frente a isto, o mercado moageiro e a indústria alimentícia vêm buscando cada vez mais trigos com qualidade industrial, descartando, portanto, lotes que venham apresentar grãos “giberelados”, que são desvalorizados no mercado ou até mesmo rejeitados, dependendo do índice de infecção.
A introdução do trigo brasileiro no mercado internacional também está regida sob forte pressão. Seguindo os critérios impostos pela ANVISA, em níveis cada vez mais restritivos, a resolução n° 7 de 2011 determina que de 2012 a 2014 o limite é de 1750 µg da micotoxina; em 2014 ele cai para 1250 µg e em 2016 para 750 µg.
Porém, níveis de 750 µg são realmente baixos, não se encontrando hoje no mercado cultivares que atendam a demanda dos produtores. Será preciso um prazo mais longo para que as empresas de melhoramento invistam fortemente em cultivares que apresentem maior resistência ao fungo Fusarium, e para que o produtor compreenda a questão, impedindo, através de práticas de manejo de aplicação de fungicidas e escalonamento de plantio, a introdução do fungo.
fonte: Cultivares - Kassiana Kehl
